
O tráfico internacional de mulheres é, para colocar de maneira crua, um dos negócios do futuro para os grupos do crime organizado. É assim porque na maioria dos países de origem é penalizado brandamente, porque as vítimas raramente se atrevem a denunciar seus captores devido a sua situação irregular e porque a demanda permite rendas muito elevadas com pouco risco para os proxenetas. Segundo os estudos reunidos pela Declaração sobre a Prostituição na Espanha, do Congresso dos Deputados, cada trabalhadora sexual dá a seu explorador na Europa cerca de 100 mil euros anuais. E cada um deles exerce seu domínio sobre 20 a 25 mulheres.

A ONU alerta sobre o efeito perverso das vítimas que assumem o papel de exploradoras. Um caso investigado no ano passado na Grécia confirmou a suspeita de que algumas mulheres obrigadas a se prostituir deixaram de fazê-lo para se transformar em recrutadoras de novas prostitutas.
Kristin Kvigne, subdiretora da Interpol para o tráfico de pessoas, explicou a dificuldade extra que representam casos desse tipo. "Uma vítima transformada em membro da organização nunca denunciará o que viveu e permite que os verdadeiros responsáveis pela rede se mantenham à distância das investigações policiais", explicou.
Mas o principal problema que enfrentam as polícias de todo o mundo é a escassa informação sobre o fenômeno e a ausência de colaboração sobre um delito que em muitos lugares continua sendo uma questão menor. Conseguir dados confiáveis sobre o alcance e os fluxos do tráfico de mulheres é o principal objetivo da iniciativa criada pela ONU, e a necessidade de melhorar a cooperação internacional é a conclusão mais relevante do encontro.
Fonte:La Vanguardia