quarta-feira, 2 de julho de 2008
Peixe-gato morre ao tentar comer bola de futebol

A tentativa de comer uma bola de futebol matou um peixe-gato na Alemanha. Segundo a publicação “Spiegel Online”, um policial que patrulhava a área do acidente classificou esse como o caso mais estranho já visto em 30 anos de profissão.
O peixe com dois metros de comprimento foi encontrado morto, boiando, depois que a bola entalou em sua boca, impedindo o animal de respirar. Ele foi achado nesta segunda-feira (30), em uma barragem do Rio Main, com os dentes cravados na bola de plástico. “O animal mordeu a bola e morreu sufocado”, explicaram as autoridades em comunicado.
“Nunca vi nada parecido em 30 anos de trabalho”, disse Reiner Jünger, da polícia, segundo o Spiegel. De acordo com ele, o peixe-gato está entre os maiores predadores de água doce. Essa espécie fica no leito do rio aguardando suas presas para atacar na superfície.
Fonte: SPIEGEL
terça-feira, 1 de julho de 2008
Girafa ajuda camelos e zebras a fugirem de circo na Holanda
Coices da 'pescoçuda' abriram buraco em jaula onde estavam bichos.Polícia levou o dia inteiro para conseguir capturar fugitivos.
É a revolução dos bichos! A polícia de Amsterdã sofreu nesta segunda-feira (30) para recuperar um grupo de animais que fugiu do circo com a ajuda de uma girafa. A 'pescoçuda' abriu, a coices, um buraco na parede da jaula, libertando 15 camelos, duas zebras e um número indeterminado de lhamas e suínos. Arnout Aben, porta-voz da polícia de Amsterdã, afirma que os animais escaparam por volta das 5h30. Em bando, eles caminharam pelas ruas do bairro vizinho ao circo.
Com a ajuda de funcionários do circo e cães, os policiais conseguiram capturar os fugitivos apenas no início da noite.
De acordo com Aben, alguns moradores chegaram a ter contato com os animais, que foram até alimentados durante o período de 'liberdade'. "Felizmente os animais eram domados, e ninguém ficou ferido", disse o porta-voz.
"Você já imaginou acordar cedo e, ainda meio sonolento, olhar pela janela e pensar: 'estou delirando ou aquilo ali são 15 camelos passeando no meu jardim?'", brincou Aben.
Fonte:G1
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Cidade veta sinais de trânsito e acidentes diminuem.

Um mês atrás, a cidade alemã de Bohmte resolveu retirar das ruas todos os semáfaros e placas de trânsito em uma tentativa de diminuir o número de acidentes. Ontem, as autoridades anunciaram os primeiros resultados da experiência insólita: "sucesso total".
A idéia, segundo infomação do jornal Daily Mail, é baseada em um plano lançado pela União Européia de "espaço compatilhado" no trânsito. A idéia, por incrível que pareça
foi desenvolvida por um especialsta de tráfego. o holandês Hans Moderman.
De acordo com o plano, ao circular pela cidade, os motoristas devem negociar a preferência com os demais usuários das vias, e não apenas respeitar regras previamente impostas . A idéia é que os motoristas prestem mais atenção ao que outros estão fazendo.
Assim, segundo Moderman, o número de acidentes diminui. Cerca de 13 mil carros
circulam por Bohmte diariamente. Segundo as autoridades, cerca de sete acidentes graves eram registrados por mês, fora as numerosas pequenas batidas na qual a polícia não se envolvia.
Desde que a cidade aboliu os sinais de trânsito, não foi registrado um acidente sequer, seja grave ou leve. "Nós estamos tentando redizir a quantidade de sinais de trânsito por toda a Europa. Estamos acreditando na prudência da pessoas", disse o porta-voz da cidade.
Fonte: AP
Australiano é preso por roubar cabelos

Rodney Lyle Petersen foi condenado a dois anos e oito meses de prisão por desviar e violar bagagens de passageriras. Ele trablha como carregador de bagagesn para uma empresa aérea australiana.
Petersen abria malas de mulheres bonitas para roubar seus cabelos.
Petersen colecionava fios de cabelo que retirava de pentes, escovas e roupas das vítimas.
Ele separava os fios de cada mulher em um saco plástico e os catologava com os dados de cada uma. De acordo com a polícia, Petersen já contava com um arquivo contendo o material de mais de 80 malas roubadas.
O condenado declarou que não era sua inteção assustar as passageiras, pois elas não deveriam descobrir o roubo. Os advogados disseram que Petersen sofre vários tipos de desvios sexuais. Ele não terá direito a liberdade condicional por dois anos.
Fonte: AP
domingo, 29 de junho de 2008
Para vender casa, mulher se inclui como 'brinde'

Uma corretora de imóveis da Flórida, nos Estados Unidos, quer vender sua própria casa por US$ 500 mil. Há, no entanto, um 'brinde' na negociação: Deven Traboscia, a corretora, continuará morando na residência, já que ela exige se casar com o comprador.
Deven está divorciada há 8 anos. Mãe solteira e endividada, ela se 'incluiu' no pacote anunciado nos sites eBay e Craigslist. "Se você quer viver um sonho sem fim e conhecer o amor verdadeiro e o romance de um conto de fadas, esta é a mulher de sua vida", diz Deven, no anúncio.
De acordo com a corretora, um possível comprador virá da Itália nos próximos dias para visitá-la e avaliar a proposta de compra do imóvel. O leilão no eBay vai até o dia 2 de julho, e o preço inicial pedido por Deven é de US$ 500 mil. Até o momento, nenhum lance foi dado.
Fonte:G1
sábado, 28 de junho de 2008
Casal passa 16 dias sem banho e ganha carro zero km
Namorados resistiram 16 dias trancados dentro de carro em desafio de shopping, só eram permitidas três refeições e duas idas ao banheiro por dia de disputa.

Rotina e banho deixaram de ser preocupações para um casal em São Paulo na luta por um carro zero quilômetro. Os namorados Evancléa Lima de Sousa, 28 anos, e Leandro Barbosa de Almeida, 18 anos, ganharam o automóvel no desafio de Dia dos Namorados de um shopping na Zona Leste, de São Paulo.
Os namorados vencedores resistiram 16 dias trancados dentro de um carro e foram considerados os que mais sabiam um do outro.
Dez casais concorreram ao prêmio na prova de resistência proposta pelo shopping. A disputa começou no dia 11 de junho às 12h e terminou nesta quarta (26) às 18h. A primeira desistência foi de um casal que só aguentou três horas enclausurado, segundo os organizadores.
A organização só permitia três refeições e duas idas ao banheiro por dia de disputa. Quatro fiscais se revezam para que os casais não quebrem as regras e nem saiam da linha. Isto significa que os pares têm de ficar lado a lado durante todo este tempo, mas sem beijos ou amassos.
Iôga, cantorias, piadas, concentração, paciência e muita, muita discussão sobre a relação e a vida. Estas são as únicas formas que os casais – eram 10 no início – encontram para ajudar a passar o tempo dentro de um carro na Maratona do Amor.
Nesta quarta-feira (26), último dia do desafio, só restavam quatro duplas finalistas. Leandro e Evancléa conseguiram o prêmio, porque foram os que mais acertaram nas perguntas sobre preferências e particularidades do outro.
Fonte:G1

Rotina e banho deixaram de ser preocupações para um casal em São Paulo na luta por um carro zero quilômetro. Os namorados Evancléa Lima de Sousa, 28 anos, e Leandro Barbosa de Almeida, 18 anos, ganharam o automóvel no desafio de Dia dos Namorados de um shopping na Zona Leste, de São Paulo.
Os namorados vencedores resistiram 16 dias trancados dentro de um carro e foram considerados os que mais sabiam um do outro.
Dez casais concorreram ao prêmio na prova de resistência proposta pelo shopping. A disputa começou no dia 11 de junho às 12h e terminou nesta quarta (26) às 18h. A primeira desistência foi de um casal que só aguentou três horas enclausurado, segundo os organizadores.
A organização só permitia três refeições e duas idas ao banheiro por dia de disputa. Quatro fiscais se revezam para que os casais não quebrem as regras e nem saiam da linha. Isto significa que os pares têm de ficar lado a lado durante todo este tempo, mas sem beijos ou amassos.
Iôga, cantorias, piadas, concentração, paciência e muita, muita discussão sobre a relação e a vida. Estas são as únicas formas que os casais – eram 10 no início – encontram para ajudar a passar o tempo dentro de um carro na Maratona do Amor.
Nesta quarta-feira (26), último dia do desafio, só restavam quatro duplas finalistas. Leandro e Evancléa conseguiram o prêmio, porque foram os que mais acertaram nas perguntas sobre preferências e particularidades do outro.
Fonte:G1
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Fraldas para Passáros
Uma empresa americana esta vendendo fraldas para pássaros de estimação, para poder permitir que eles voem livremente pela casa sem perigo de sujar o ambiente." Como você sabe, os pássaros defecam em média a cada 20 minutos, e, dependendo do tamanho do pássaro, isso pode ser uma experiência bastante suja", afirma o site diapersforbirds.com, da Jungle Wear, onde o produto é comercializado.
Cada fralda custa entre US$ 20 e US$ 28 (entre R$ 33 e R$ 46). Segundo o site, a fralda foi "cuidadosamente feita com conforto em mente" e não restringe o movimento dos pássaros.
A empresa comercializa 14 tamanhos diferentes de fralda em mais de 10 cores diferentes, para todos os tipos de pássaros, inclusive patos. A maioria dos produtos é feita sob medida para papaguaios.
Além dos tamanhos, a empresa se dispõe a confeccionar fraldas sob medida para outros tipos de pássaros de estimação. A empresa também oferece fraldas personalizadas, com as iniciais dos passaros bordadas nelas.
Um video no site da empresa instrui como colocar a fralda em pássaros mais agitados.
Fonte: AP
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Na Tailândia, juiz condena prostituta por 'mentir' para cliente
Anúncio citava 'uma jovem de pele branca e seios grandes'.
Mulher, que pesava 100 kg, levou multa de US$ 238.

Um tribunal de Bangcoc condenou a 11 meses de prisão uma prostituta por enganar um cliente sobre seu físico e por tentar extorquir dinheiro dele quando foi descoberta a verdade, informa nesta quarta-feira (25) a imprensa local.
A prostituta Khemjira Tanpaiboon, de 27 anos e que pesa 100 quilos, terá de pagar ainda uma multa de 8.000 baht (US$ 238).
O cliente, um homem identificado como "Kittichai", apresentou uma denúncia à polícia no dia 26 de setembro, na qual explicava que a mulher se descrevia, em um anúncio na internet, como "uma jovem de pele branca e seios grandes".
O capitão de Polícia Natthaphat Kositloet disse que "Kittichai" decidiu deixar o lugar do encontro quando viu a prostituta, mas ela ameaçou procurar a esposa da vítima caso ele se negasse a manter relações sexuais e a pagar pelo programa.
O homem fingiu concordar e aproveitou um momento de distração da prostituta para escapar e procurar a Polícia.
Fonte: EFE
Mulher, que pesava 100 kg, levou multa de US$ 238.

Um tribunal de Bangcoc condenou a 11 meses de prisão uma prostituta por enganar um cliente sobre seu físico e por tentar extorquir dinheiro dele quando foi descoberta a verdade, informa nesta quarta-feira (25) a imprensa local.
A prostituta Khemjira Tanpaiboon, de 27 anos e que pesa 100 quilos, terá de pagar ainda uma multa de 8.000 baht (US$ 238).
O cliente, um homem identificado como "Kittichai", apresentou uma denúncia à polícia no dia 26 de setembro, na qual explicava que a mulher se descrevia, em um anúncio na internet, como "uma jovem de pele branca e seios grandes".
O capitão de Polícia Natthaphat Kositloet disse que "Kittichai" decidiu deixar o lugar do encontro quando viu a prostituta, mas ela ameaçou procurar a esposa da vítima caso ele se negasse a manter relações sexuais e a pagar pelo programa.
O homem fingiu concordar e aproveitou um momento de distração da prostituta para escapar e procurar a Polícia.
Fonte: EFE
terça-feira, 24 de junho de 2008
Lenda do Santo Graal é mera invenção da Idade Média
Até século 12, cálice da Santa Ceia não era famoso; poetas deram início à saga.
Trama de 'Código da Vinci' envolvendo Graal mistura fraudes e erros históricos.
A lenda do Santo Graal virou, nos últimos tempos, uma espécie de ímã para quase todo tipo de lixo cultural e teorias estapafúrdias. Por isso, é bom colocar as coisas em pratos limpos: o famoso objeto não tem absolutamente nada a ver com Maria Madalena, com os Cavaleiros Templários ou com a sociedade secreta fictícia conhecida como Priorado de Sião. E, aliás, o Graal também não tem nada a ver com Jesus Cristo.
Recipientes de cerâmica usados na Judéia durante o século 1 da Era Cristã: 'Graal' usado na Santa Ceia teria aspecto parecido
Poucos historiadores hoje duvidam de que Jesus e seus apóstolos realmente celebraram uma ceia derradeira antes que Cristo fosse morto a mando das autoridades romanas e judaicas. Os Evangelhos narram como o grupo comeu pão e bebeu vinho durante a cerimônia. Sabemos até como era a bebida servida nessa época.
“Em todo o Mediterrâneo de então, ninguém bebia vinho puro, mas sim diluído em água”, conta Francisco Marshall, historiador da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). “É que, com as condições precárias de fabricação e preservação da bebida, ou o vinho era uma espécie de vinagre, uma coisa muito ruim, ou então algo muito forte”, diz Marshall. “O jeito, então, era diluí-lo e, se possível, colocar nele algumas ervas aromáticas para melhorar o sabor.” Ainda quanto às condições materiais do suposto Graal, podemos dizer que Indiana Jones estava certo – ao menos num quesito. No filme “Indiana Jones e a Última Cruzada”, o arqueólogo escolhe “o cálice de um carpinteiro”, feito de madeira e de aparência humilde, como o verdadeiro Graal. De fato, judeus das camadas populares como Jesus provavelmente bebiam em recipientes feitos de cerâmica ou madeira. Pareciam simples cuias, como os oriundos da região de Qumran, no mar Morto, retratados no início desta reportagem. No entanto, é muito pouco provável que os utensílios de mesa utilizados por Jesus e seus companheiros em sua refeição final juntos tenham sido preservados. Para começar, como afirma o próprio Novo Testamento, a sala onde a ceia aconteceu era alugada. Além disso, o hábito de guardar relíquias relacionadas a figuras religiosas importantes começou relativamente tarde entre os cristãos – cerca de um século após a morte de Jesus. Para os primeiros seguidores de Cristo, o importante não era preservar seus objetos pessoais, mas sim espalhar sua palavra.
Cálice exibido em Valência, na Espanha, como o usado na Santa Ceia; na verdade, parte do objeto data do começo da Idade Média e as alças foram adicionadas depois
No entanto, conforma a nova religião evoluía, os fiéis sentiam faltas de descrições mais detalhadas da vida e da morte de Jesus, diante da narrativa muitas vezes lacônica dos Evangelhos canônicos (os quatro “oficiais” incluídos no Antigo Testamento). Surgiram então histórias tardias, de caráter popular, como o chamado Evangelho de Nicodemos, que data do fim do século 4 de nossa era. A obra narra com mais detalhes como os nobres judeus José de Arimatéia e Nicodemos deram um enterro digno ao corpo de Jesus antes de sua ressurreição, e como um soldado romano chamado Longino feriu o tórax de Cristo com uma lança. Logo começaram a circular lendas sobre as relíquias do Sangue Santo – o sangue que José de Arimatéia e Nicodemos teriam recolhido do corpo de Jesus – e sobre a lança de Longino, dois elementos que voltariam na história do Santo Graal.
A pré-história da lenda estava mais ou menos nesse pé quando entrou em cena um escritor francês chamado Chrétien de Troyes. Ninguém sabe exatamente de onde Chrétien de Troyes tirou a inspiração para dar o passo seguinte no desenvolvimento da lenda, por volta do ano 1180. O poeta do norte da França já fazia sucesso com histórias sobre os cavaleiros da Távola Redonda, especialmente Lancelote, o mais valoroso deles. É então que ele decide escrever uma nova saga sobre Percival, um jovem nobre que perde o pai muito cedo e é criado longe da civilização pela mãe.
“Percival é uma espécie de bom selvagem, não sabe se comportar em sociedade por ter sido criado no meio da mata”, afirma José Rivair Macedo, especialista em história medieval da UFRGS. O rapaz encontra um grupo de cavaleiros na floresta e fica tão fascinado por eles que pede à mãe para se tornar cavaleiro também. Parte para o corte do rei Arthur, consegue seu desejo e parte pelo mundo em busca de aventuras
“Uma coisa tão santa”
E é aí que o Graal finalmente entra em cena. Percival chega ao castelo de um nobre conhecido como Rei Pescador, onde ele presencia uma cerimônia que ficaria conhecida como a procissão do Graal: uma lança que sangra (alguém se lembrou da lança de Longino?) e “um graal” - a palavra é usada de modo genérico por Chrétien.
“A tradução mais correta para o português seria escudela”, diz Macedo, referindo-se a uma espécie de prato comprido e relativamente fundo – uma travessa, diríamos hoje – usada para servir peixes ou carnes. Ironia das ironias: o Graal original não é um cálice, mas um prato! Chrétien dá a atender que “o graal” carregava uma única hóstia, que servia de alimento para o pai do Rei Pescador, gravemente ferido.
Diversos eventos misteriosos fazem com que Percival deixe o castelo do Rei Pescador e encontre um eremita. O monge conta ao cavaleiro que o Graal é “uma coisa muito santa” (tante sainte chose, no dialeto francês medieval de Chrétien)... e a história termina aí, sem final. Há quem ache que Chrétien tenha morrido antes de concluí-la. Foi justamente graças a essa ponta solta que a criatividade dos autores que vieram depois de Chrétien pode correr solta. Para o medievalista britânico Richard Barber, autor do livro “O Santo Graal – A História de Uma Lenda”, os autores juntaram o mistério do Graal de Chrétien com o Evangelho de Nicodemos e as imagens religiosas da época para sugerir que, na verdade, a “coisa muito santa” era o prato (ou o cálice) onde José de Arimatéia e Nicodemos teriam recolhido o sangue de Jesus.
Cavaleiro puro
Em parte graças aos personagens da Távola Redonda que agora faziam parte da história, a saga do Graal passou a fazer enorme sucesso. Nas cinco décadas depois da morte de Chrétien, surgiram 18 continuações da história de Percival, com vários autores diferentes. A maioria delas incluía um novo cavaleiro, Galahad, filho de Lancelote, um guerreiro casto e puro que se unia a Percival e a outros homens da Távola Redonda para encontrar o Graal. Com isso, eles seriam capazes de curar o pai ferido do Rei Pescador, salvando o reino dele da destruição, e encontrar a iluminação. De acordo com Barber, embora as histórias incorporem alguns elementos da mitologia celta, seu pano de fundo é basicamente cristão. O Graal funciona como um símbolo da Eucaristia, o sacramento da transformação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo. Beber (ou comer) do objeto restaura a saúde do soberano ferido e, de quebra, leva Galahad direto para o Paraíso – exatamente os atributos que a doutrina da Eucaristia dá a esse sacramento.
O curioso é que, com a popularidade do Graal, várias igrejas da Europa passaram a reivindicar a posse do cálice usado por Cristo na Última Ceia. Dois exemplos estão em Valência, na Espanha, e Gênova, na Itália (em ambos os casos, o mais provável é que sejam objetos de origem árabe, fabricados no começo da Idade Média). Um objeto descoberto na Síria no começo do século 20, conhecido como cálice de Antioquia, chegou a ser considerado como o Graal original até se descobrir que ele não passava de uma lâmpada a óleo, também do começo da Idade Média.
Código da bobagem
A lenda do Graal andou em baixa do fim do século 16 até o começo do século 19, quando um interesse renovado pela cultura da Idade Média surgiu no Ocidente. No entanto, sua máxima popularidade recente certamente se deve ao livro “O Código Da Vinci”, que afirma que o Santo Graal na verdade seria o sang real – o “sangue real” dos filhos de Jesus com Maria Madalena, que teriam migrado para a França no começo da Era Cristã e sido protegidos ao longo dos séculos pelo chamado Priorado de Sião.
Tudo isso não passa de um imenso engodo, usado pelo escritor americano Dan Brown (e outros antes dele) para aumentar a popularidade de seus livros. Primeiro, as evidências de que Jesus e Maria Madalena tenham casado e tido filhos são nulas (assim como as de uma suposta viagem dela para a França). O Priorado de Sião é uma fraude criada por um vigarista francês no século 20. E a expressão sang real é só uma leitura equivocada da expressão san greal, “Santo Graal”, por alguns escritores do século 15.
Fonte:G1
Trama de 'Código da Vinci' envolvendo Graal mistura fraudes e erros históricos.
A lenda do Santo Graal virou, nos últimos tempos, uma espécie de ímã para quase todo tipo de lixo cultural e teorias estapafúrdias. Por isso, é bom colocar as coisas em pratos limpos: o famoso objeto não tem absolutamente nada a ver com Maria Madalena, com os Cavaleiros Templários ou com a sociedade secreta fictícia conhecida como Priorado de Sião. E, aliás, o Graal também não tem nada a ver com Jesus Cristo.Recipientes de cerâmica usados na Judéia durante o século 1 da Era Cristã: 'Graal' usado na Santa Ceia teria aspecto parecido
Poucos historiadores hoje duvidam de que Jesus e seus apóstolos realmente celebraram uma ceia derradeira antes que Cristo fosse morto a mando das autoridades romanas e judaicas. Os Evangelhos narram como o grupo comeu pão e bebeu vinho durante a cerimônia. Sabemos até como era a bebida servida nessa época.
“Em todo o Mediterrâneo de então, ninguém bebia vinho puro, mas sim diluído em água”, conta Francisco Marshall, historiador da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). “É que, com as condições precárias de fabricação e preservação da bebida, ou o vinho era uma espécie de vinagre, uma coisa muito ruim, ou então algo muito forte”, diz Marshall. “O jeito, então, era diluí-lo e, se possível, colocar nele algumas ervas aromáticas para melhorar o sabor.” Ainda quanto às condições materiais do suposto Graal, podemos dizer que Indiana Jones estava certo – ao menos num quesito. No filme “Indiana Jones e a Última Cruzada”, o arqueólogo escolhe “o cálice de um carpinteiro”, feito de madeira e de aparência humilde, como o verdadeiro Graal. De fato, judeus das camadas populares como Jesus provavelmente bebiam em recipientes feitos de cerâmica ou madeira. Pareciam simples cuias, como os oriundos da região de Qumran, no mar Morto, retratados no início desta reportagem. No entanto, é muito pouco provável que os utensílios de mesa utilizados por Jesus e seus companheiros em sua refeição final juntos tenham sido preservados. Para começar, como afirma o próprio Novo Testamento, a sala onde a ceia aconteceu era alugada. Além disso, o hábito de guardar relíquias relacionadas a figuras religiosas importantes começou relativamente tarde entre os cristãos – cerca de um século após a morte de Jesus. Para os primeiros seguidores de Cristo, o importante não era preservar seus objetos pessoais, mas sim espalhar sua palavra.
Cálice exibido em Valência, na Espanha, como o usado na Santa Ceia; na verdade, parte do objeto data do começo da Idade Média e as alças foram adicionadas depoisNo entanto, conforma a nova religião evoluía, os fiéis sentiam faltas de descrições mais detalhadas da vida e da morte de Jesus, diante da narrativa muitas vezes lacônica dos Evangelhos canônicos (os quatro “oficiais” incluídos no Antigo Testamento). Surgiram então histórias tardias, de caráter popular, como o chamado Evangelho de Nicodemos, que data do fim do século 4 de nossa era. A obra narra com mais detalhes como os nobres judeus José de Arimatéia e Nicodemos deram um enterro digno ao corpo de Jesus antes de sua ressurreição, e como um soldado romano chamado Longino feriu o tórax de Cristo com uma lança. Logo começaram a circular lendas sobre as relíquias do Sangue Santo – o sangue que José de Arimatéia e Nicodemos teriam recolhido do corpo de Jesus – e sobre a lança de Longino, dois elementos que voltariam na história do Santo Graal.
A pré-história da lenda estava mais ou menos nesse pé quando entrou em cena um escritor francês chamado Chrétien de Troyes. Ninguém sabe exatamente de onde Chrétien de Troyes tirou a inspiração para dar o passo seguinte no desenvolvimento da lenda, por volta do ano 1180. O poeta do norte da França já fazia sucesso com histórias sobre os cavaleiros da Távola Redonda, especialmente Lancelote, o mais valoroso deles. É então que ele decide escrever uma nova saga sobre Percival, um jovem nobre que perde o pai muito cedo e é criado longe da civilização pela mãe.
“Percival é uma espécie de bom selvagem, não sabe se comportar em sociedade por ter sido criado no meio da mata”, afirma José Rivair Macedo, especialista em história medieval da UFRGS. O rapaz encontra um grupo de cavaleiros na floresta e fica tão fascinado por eles que pede à mãe para se tornar cavaleiro também. Parte para o corte do rei Arthur, consegue seu desejo e parte pelo mundo em busca de aventuras
“Uma coisa tão santa”
E é aí que o Graal finalmente entra em cena. Percival chega ao castelo de um nobre conhecido como Rei Pescador, onde ele presencia uma cerimônia que ficaria conhecida como a procissão do Graal: uma lança que sangra (alguém se lembrou da lança de Longino?) e “um graal” - a palavra é usada de modo genérico por Chrétien.
“A tradução mais correta para o português seria escudela”, diz Macedo, referindo-se a uma espécie de prato comprido e relativamente fundo – uma travessa, diríamos hoje – usada para servir peixes ou carnes. Ironia das ironias: o Graal original não é um cálice, mas um prato! Chrétien dá a atender que “o graal” carregava uma única hóstia, que servia de alimento para o pai do Rei Pescador, gravemente ferido.
Diversos eventos misteriosos fazem com que Percival deixe o castelo do Rei Pescador e encontre um eremita. O monge conta ao cavaleiro que o Graal é “uma coisa muito santa” (tante sainte chose, no dialeto francês medieval de Chrétien)... e a história termina aí, sem final. Há quem ache que Chrétien tenha morrido antes de concluí-la. Foi justamente graças a essa ponta solta que a criatividade dos autores que vieram depois de Chrétien pode correr solta. Para o medievalista britânico Richard Barber, autor do livro “O Santo Graal – A História de Uma Lenda”, os autores juntaram o mistério do Graal de Chrétien com o Evangelho de Nicodemos e as imagens religiosas da época para sugerir que, na verdade, a “coisa muito santa” era o prato (ou o cálice) onde José de Arimatéia e Nicodemos teriam recolhido o sangue de Jesus.
Cavaleiro puro
Em parte graças aos personagens da Távola Redonda que agora faziam parte da história, a saga do Graal passou a fazer enorme sucesso. Nas cinco décadas depois da morte de Chrétien, surgiram 18 continuações da história de Percival, com vários autores diferentes. A maioria delas incluía um novo cavaleiro, Galahad, filho de Lancelote, um guerreiro casto e puro que se unia a Percival e a outros homens da Távola Redonda para encontrar o Graal. Com isso, eles seriam capazes de curar o pai ferido do Rei Pescador, salvando o reino dele da destruição, e encontrar a iluminação. De acordo com Barber, embora as histórias incorporem alguns elementos da mitologia celta, seu pano de fundo é basicamente cristão. O Graal funciona como um símbolo da Eucaristia, o sacramento da transformação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo. Beber (ou comer) do objeto restaura a saúde do soberano ferido e, de quebra, leva Galahad direto para o Paraíso – exatamente os atributos que a doutrina da Eucaristia dá a esse sacramento.
O curioso é que, com a popularidade do Graal, várias igrejas da Europa passaram a reivindicar a posse do cálice usado por Cristo na Última Ceia. Dois exemplos estão em Valência, na Espanha, e Gênova, na Itália (em ambos os casos, o mais provável é que sejam objetos de origem árabe, fabricados no começo da Idade Média). Um objeto descoberto na Síria no começo do século 20, conhecido como cálice de Antioquia, chegou a ser considerado como o Graal original até se descobrir que ele não passava de uma lâmpada a óleo, também do começo da Idade Média.Código da bobagem
A lenda do Graal andou em baixa do fim do século 16 até o começo do século 19, quando um interesse renovado pela cultura da Idade Média surgiu no Ocidente. No entanto, sua máxima popularidade recente certamente se deve ao livro “O Código Da Vinci”, que afirma que o Santo Graal na verdade seria o sang real – o “sangue real” dos filhos de Jesus com Maria Madalena, que teriam migrado para a França no começo da Era Cristã e sido protegidos ao longo dos séculos pelo chamado Priorado de Sião.
Tudo isso não passa de um imenso engodo, usado pelo escritor americano Dan Brown (e outros antes dele) para aumentar a popularidade de seus livros. Primeiro, as evidências de que Jesus e Maria Madalena tenham casado e tido filhos são nulas (assim como as de uma suposta viagem dela para a França). O Priorado de Sião é uma fraude criada por um vigarista francês no século 20. E a expressão sang real é só uma leitura equivocada da expressão san greal, “Santo Graal”, por alguns escritores do século 15.
Fonte:G1
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